07 janeiro 2008

Argonauta

Você está sendo sufocado dentro de um recinto, não consegue respirar, o ar lhe é fornecido aos poucos, apenas para que não venha a falecer. O seu instinto de sobrevivência lhe faz agir de maneira a economizar esse bem precioso: o ar. Respira por alguns segundos e prende a respiração, e assim sucessivamente para que possa seguir adiante. De repente as janelas se abrem, o horizonte se mostra novamente e a sensação de alívio é enorme.
Maravilha, mas será que a luta que foi travada não deixou ensinamentos? Será que agora basta sair suspirando por aí como se fosse a coisa mais normal do mundo?
Como diz o poeta: "Navegar é preciso, viver não é preciso"

O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não!
Navegar é preciso, viver não é preciso
O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada!
Navegar é preciso, viver não é preciso
O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!
Navegar é preciso, viver não é preciso


"Os Argonautas" - Caetano Veloso

1 Comentários:

Blogger bethar disse...

Procurar, sim, o velocino de ouro, é preciso. Sem que vampirizemos ou nos deixemos vampirizar. Nunca o nosso ar, por outrem, se deixar sugar.
Navegar em águas claras, voar em céu aberto, mergulhar mar adentro. Subir é descer, luz é sombra, nascer é morrer. Navegar é viver.

11:13 AM  

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